Só uma coisa me faz respirar, como respiraria uma montanha. Profundamente, não depender mais, do coração alheio. Não olhar mais o relógio ou o celular com angustia, quando um atraso pode significar desaparecimento, tendo a esperança de que você irá receber uma ligação ou até mesmo uma mensagem, naquela hora, dizendo “não se preocupe, eu estou bem!”… Não estar mais ligada por um fio invisível ou corpo externo, alí. Estou com saudades, saudades de sentir aquele alívio de que a dor passou, de que ela foi embora… da uma paz, uma calma! A dor da perda, pra mim, parece concreta, tem que passar pelo corpo, e sem falar que… as vezes a gente precisa de certos freios. Eu prefiro deixar meu corpo, e ter uma mente ativa, pra me impedir de fazer alguma coisa maior… a mim, ou a quem se aproximar de mim. Mas eu penso que, se deixar uma pessoa se aproximar de você, talvez seja a única forma de você esquecer! É curioso pensar que o mar, esteve aqui, o tempo todo, parado. Inteiro pra mim, e eu não compareci ao seu encontro. Toma qualquer forma, enlouquece-me, mas não me deixe nesse abismo, onde eu não possa te encontrar, ó Deus, é inexprimível, não posso viver sem minha vida, sem minha alma. A cada passo, cada movimento, eu percebi que tinha me tornado “um livro branco”, não havia mais nada escrito em mim. Só me lembro perguntando: será que esquecer, é a mesma coisa que ter perdido?

Julia, Como Esquecer. (via pontocegoponto)

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